sexta-feira, 12 de junho de 2015

Recolha do feno


Ele é plantado no outono, normalmente em novembro, e recolhido na primavera, final de abril e início de maio. No brasil o chamamos de mato, capim, mas aqui é conhecido como erva de feno.
Depois que o capim é cortado ele é deixado espalhado pelo campo por algumas semanas para secar. Por isso fica amarelinho.

Sequinho, ele é recolhido e embalado em rolos de diversos tamanhos e pesos.
Antigamente, as máquinas usadas faziam o empacotamento em formato retangular de 30, 40 kg já que a recolha dos fardos era um trabalho totalmente braçal.
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É raro encontrarmos quem ainda use a máquina antiga, mas com um pouquinho de sorte…

Atualmente, encontramos rolos de 250, 300 kg porque o trabalho agora é todo mecânico. Os “pacotes” são recolhidos por grandes carretas que transportam todos eles para os galpões em que ficam guardados até a chegada do inverno, quando o feno é servido ao gado.
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O resultado de todo processo é esse.
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Rolo de feno de 250 kg preparado para ser transportado.
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Por isso, nesse período é comum o cenário da Sicília ser assim, cheinho de rolos de feno.
Eu acho lindo.

domingo, 7 de junho de 2015

Castello Santapau - Licodia Eubea

Quem vive a loucura diária nos centros urbanos, muitas vezes busca um esconderijo perto da cidade, porém, longe do stress.
A Sicilia é cheia desses refúgios encantadores que te fazem ter dúvidas até sobre que dia da semana é.
A pouco mais de 40 km de Ragusa existe um lugar assim e chama-se Licodia Eubea, pertencente à província de Catania. Encontra-se a 600 metros acima do nível do mar e de onde temos uma vista privilegiada de meia Sicília oriental.
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Em um muro, na entrada do município, somos recebidos por esta inscrição de boas vindas, feita em lajota pintada a mão. Fotos #andar_ilhando
O que eu acho mais legal de visitar Licodia, é que o passeio começa muito antes de chegar à cidade. No meu caso, começou pela represa que acolhe as águas do rio Dirillo, que passa por todo o vale e desemboca em mar ragusano.
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Placa indicativa em um dos pontos de acesso à diga.

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Vista do Lago de Licodia.

Apesar de ter sido rico em peixes, depois da construção da barreira, a atividade de pesca diminuiu drasticamente, mas ainda encontramos algum esperançoso que pega qualquer coisa de pequeno porte. Atividades esportivas aquáticas são permitidas, mas é proibido o banho aos visitantes.

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Vista do percurso que fazemos para chegar a um dos pontos do lago.

Saindo da área do Lago, do lado direito da estrada, nos deparamos com uma construção nada convencional. Uma construção octagonal e devo dizer, no mínimo, curiosa. No meio do nada, uma construção com traços arquitetônicos completamente fora de tudo o que vemos na região e sem identificação nenhuma.
Primeiro que para chegar lá, percorremos uma ladeira a pé, em terreno calcário com laterais que lembram degraus.

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Vista do acesso direto ao prédio “misterioso”.
Depois, ao chegar no topo, nos deparamos com essa maravilha.
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Ao fundo, à direita, a cidade de Licodia que nos espera.

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Construção “misteriosa”.
Observe que existem aberturas em formato circular que são as janelas do prédio. Devidamente dispostas de maneira que permitam ventilação e a entrada da luz solar a qualquer hora do dia.

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Quem é aquele curió ali?? rsrsrsrs

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Vista frontal.
Essa edificação nada mais é do que uma antiga igreja, na qual tem registrado do lado de dentro, no arco da porta, o ano de 1768, chamada de Chiesa del Bianchetto por se localizar na nesta contrada, foi dedicada a Madonna delle Grazie por volta do séc. XVIII.
Essa igreja não tem porta, somente uma grade que a protege de invasões (humanas e animais) indesejadas.
Ao fundo, de frente, vemos a estátua da Madonna, com um tecido preto de fundo (penso que seja para evidenciá-la já que é pequena).
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Imagem da Madonna delle Grazie sob pintura original de onde um dia foi o altar de celebraçao eucaristica.
Essa igreja é testemunha de um estilo de vida camponês da região, que sobrevive com o passar do tempo.
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Casa próxima a igreja, abandonada, mas que retrata a simplicidade da vida com que as pessoas viviam no e do campo.
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Interior da casa. Vejam a simples disposição de nada mais do que 2 cômodos e a dimensão do lugar.
Seguimos rumo ao nosso destino principal que é Licodia.
Licodia Eubea é um daqueles lugares em que o tempo cronológico não existe. Região agrícola, acolhe muitos rebanhos de ovelhas e é muito comum o tráfego ser mais lento porque ovelhas e pastores atravessam, constantemente, as estradas.
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Cada pontinho branco lá embaixo, no vale, é uma ovelha.
A vida camponesa se faz aos pés do antigo Castello di Santapau (também conhecido como Castello di Licodia) que foi erguido no período medieval. Acredita-se que, pela estrutura da construção do muro e dos túneis subterrâneos, deve ter surgido no período das invasões bizantina e árabe na região, na segunda metade de 400 a.C.
Infelizmente, o grande terremoto de 1693 foi implacável com Licodia e a destruiu quase que completamente e a localização privilegiada do castelo também foi sua fraqueza.
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Uma das únicas torres que restam inteiras do castelo.
No início do séc. XX outras torres foram derrubadas pela administração local por perigo de desmoronarem sobre as casas que ainda são estreitamente ligadas aos muros do castelo.
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Algumas das casas em ruinas aos pés do castelo. Pode não parecer, mas o local ainda é habitado, como a próxima foto mostra.
Passado e presente caminham juntos neste lugar.
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Construções novas e modernas adornam o cenário medieval no entorno do Castello di Licodia.

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Parte do muro “novo” que evita o deslizamento de terra pertencente ao entorno do castelo sobre as casas que ficam na parte mais baixa. 

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Outro ângulo do muro de contenção.
Mas visitar o Castello sem conhecer uma de suas narrativas mais ilustres, deixa a visita meio vazia. É mais ou menos assim. “Na noite de Natal da metade de 1500, dona Antonia del Balzo, esposa de Ambrogio Santapau, marques de Licodia e principe de Butera, comete suicídio (usando uma faca) por não suportar viver sem seu amado, morto poucos meses antes. Seu espírito ronda pelo castelo à procura do espírito do marido, sem o qual não pôde viver sem.” A dúvida da veracidade na estória contada nos cria uma expectativa diferente quando visitamos o local.
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Calçamento da entrada principal do Castello. Somente o acesso é original.

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Ruínas de um dos cômodos superiores do Castello.

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O cômodo sob outra perspectiva.

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Vista da lateral do castelo, do que resistiu ao terremoto de 1693, porém pouco visível por causa da vegetação alta.

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Ruínas de outro cômodo superior.

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Um dos muitos acessos subterrâneos que existiam no castelo, com a entrada soterrada. Quando o terreno está “capinado” e sem entulho essa entrada fica livre e se pode entrar em um dos cômodos inferiores.


Outra entrada subterrânea do Castello.

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No inverno a vista é essa.
Sob a névoa, não conseguimos ver muito longe. Cercado pelo gradio, um dos acessos ao subsolo que liga a torre remanescente ao interior do castelo.
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Na primavera, o cenário é completamente diferente.
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O que restou da torre gêmea com a que continua de pé fazendo a ligação entre muros.

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Vista da torre gêmea do Castello no período invernal.

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Uma das torres e sua base em pedras inseridas na rocha para dar o nível justo com a angulação do terreno e ajudar no suporte do cinturão e das torres que circundavam o castelo.

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O muro de pedras completa a parede rochosa ao mesmo tempo que se torna parte de um dos cômodos subterraneos com acesso pelo interior do castelo.

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Licodia vista do Castello na primavera…

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… e em um dia nebuloso de inverno.
Durante nossa ida a Licodia em janeiro deste ano, fomos atraídos por um som conhecido, mas há muito esquecido em outras regiões, que vinha do castelo.
Encontramos um grupo de rapazes que tocava música antiga em dialeto siciliano e que dava todo um ar especial ao momento. Foi emocionante. Foi lindo.
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Jovens locais reunidos na tarde fria de inverno para conversar e tocar músicas antigas em dialeto siciliano.
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Fim de tarde. Vista do topo do Castello Santapau.

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Janeiro de 2015.

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À minha frente temos a terra em todas as suas formas, surgida em estado ainda bruto e onde a vida agricola se faz, que rasga a crosta terrestre e se mostra sem qualquer cerimônia. Esse vale é o paraíso dos geólogos.

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Abril de 2015. Foto #pierino
Infelizmente, este lugar mágico não é cuidado como deveria ser. Tem um visual incrível, mas sua magnífica essência está muito escondida sob toda essa vegetação.
Quem quiser ver como o castelo é “nu” pode acessar este site que tem fotos feitas por Diego Barucco, tiradas em 2008, e que mostram como o interior do lugar é fascinante.
Quem quiser ouvir (em dialeto siciliano) a descrição histórica do Castello di Santapau e a narrativa sobre a tragédia de dona Antonia pode assistir ao vídeo de Fabrizio Ruggieri em https://www.youtube.com/watch?v=uguSdX8HFrI
Espero que tenham gostado.
Até a próxima!
P.S.: Todas as fotos foram tiradas por #andar_ilhando e #pierino em janeiro e abril de 2015.